1ª Fenavinho
Festa Nacional do Vinho
25 de fevereiro a 12 de março de 1967

Cartaz da 1ª Fenavinho – Crédito imagens: Fabiano Mazzotti
Em 1967 Bento Gonçalves passa por uma grande transformação, um marco histórico. Com a colaboração de dinâmicas lideranças e a ajuda de toda a comunidade, surge a I Fenavinho, a Festa Nacional do Vinho.
A Fenavinho traz ao município pela primeira vez a visita de um Presidente da República, o Marechal Humberto de Alencar Castelo Branco, em 25 de fevereiro de 1967.
O principal produto e a força da economia de Bento Gonçalves foram divulgados em todo o Brasil, tornando a cidade conhecida nacional e internacionalmente. O município confirma sua vocação para o turismo de negócios e começa a realizar as edições anuais da Fenavinho no Parque de Eventos.

O presidente da república do Brasil General Humberto de Alencar Castelo Branco visitou a I FENAVINHO na cidade de Bento Gonçalves em 25 de fevereiro de 1967. Na foto estão presentes o bento-gonçalvense General Ernesto Geisel, então Chefe da Casa Civil, e que de 1974 a 1979 se tornaria presidente da república e o prefeito de Bento Gonçalves Milton Rosa. Acervo: Arquivo Histórico Municipal. (mais detalhes da foto)

Foto da 1ª edição da Fenavinho em 1967, utilizada para produção de cartões postais. O pavilhão central, de 23 metros de largura por 90 metros de comprimento, e com uma fachada de três pavimentos permanece até os dias atuais no local, do atual Parque de Eventos de Bento Gonçalves

Imperatriz do Vinho: Sandra Guerra (ao centro) e Damas de honra: Iegle Gehlen e Liane Mazzini
1ª Festa Nacional do Vinho – Histórico
(Texto: Museu do Imigrante de Bento Gonçalves)
A Festa Nacional do Vinho – Fenavinho nasceu da necessidade de os vitivinicultores se unirem para enfrentar a grande
crise do setor vinícola. Naquele início da década de 1960, não havia mercado para todo o vinho produzido e a capacidade de estocagem das cantinas tinha se esgotado. Além disso, havia o risco de as empresas deixarem de comprar as próximas safras de uvas dos colonos. Convivendo com os problemas de produtores e cantineiros e motivado pelo sucesso de uma
exposição de uvas realizada na Paróquia Cristo Rei, o engenheiro agrônomo Loreno Augusto Gracia teve a ideia de promover uma festa do vinho. Gracia acreditava que a realização de um evento que exaltasse o trabalho dos agricultores e a qualidade do vinho poderia auxiliar no aumento do consumo da bebida e, consequentemente fortalecer o setor.
Gracia tornou público seu desejo de realizar a festa no dia 23 de março de 1965, ao participar de uma reunião no Colégio Comercial Nossa Senhora Aparecida. O encontro foi promovido para tratar das comemorações dos 25 anos da instituição. O agrônomo sugeriu a oportunidade que uma festa ou festival do vinho integrasse a programação das Bodas de Prata do colégio. A ideia foi acolhida pelos participantes da reunião (direção do Colégio Aparecida, Associação de Pais e Mestres e Associação dos ex-alunos Maristas) e diversos outros encontros foram pautados. Porém, à medida que esses encontros se sucediam, os planos de realizar uma festa local acabaram se transferindo para âmbito estadual e por fim nacional.
Diante da ideia vultuosa do empreendimento, as associações participantes se julgarem incapazes de realizar a festa e resolveram levar a ideia ao prefeito de Bento Gonçalves, Milton Rosa. O chefe do Executivo acolheu com simpatia a sugestão e convocou líderes da cidade para debater o assunto. Diversas reuniões foram realizadas até ser definida a dimensão exata do evento, que levaria o nome de Festa Nacional do Vinho – Fenavinho, e deveria acontecer no início de 1966.

I Festa Nacional do Vinho
A primeira tentativa de realizar uma festa nos moldes da Fenavinho foi organizada pela paróquia Cristo Rei, através do Pe. Arnaldo Gasparotto, que desejando unir o povo e despertar a comunidade, promoveu a primeira Exposição de Uvas no Salão Paroquial.
Levado pelo entusiasmo dos resultados, o engenheiro Agrônomo Loreno Augusto Gracia despertou a necessidade de realizar em Bento Gonçalves algo como a Fenac, a Festa da Uva e outras. O lançamento da ideia oficial de uma Festa do Vinho foi realizado no Colégio Comercial Nossa Senhora Aparecida, quando se reuniram a Associação de Pais e Mestres, a Associação dos Ex-alunos Maristas e a Direção da Escola, visando planejar os festejos alusivos às Bodas de Prata do estabelecimento. A sugestão do Engenheiro Gracia foi de que entre os atrativos dos festejos, fosse realizado um Festival do Vinho. Tal ideia data de 1965.
As associações citadas julgaram-se incapazes de realizar o empreendimento e resolveram levar a ideia ao prefeito Milton
Rosa, através do Engenheiro Gracia e do diretor do Colégio, Ir. Avelino Madalozzo. No mesmo ano, Bento Gonçalves comemorava o Jubileu de Diamantes da Emancipação e o Executivo Municipal acolheu a ideia, convocando líderes locais para debater a questão. Reunidos, os líderes julgaram necessária a nomeação de uma comissão que teria como incumbência planejar a realização do evento.
Foram nomeados: Presidente: Engenheiro Agrônomo Loreno Augusto Gracia; Vice-presidente: Industrialista Ênio Fasolo; Secretário: Industrialista Moises Luiz Michelon; 2° Secretário: Pedro Koff; Tesoureiro: Gentil Teophilo Pompermayer; 2° Tesoureiro: Armando Wilmar Neis.
Assim que constituída, a comissão iniciou os trabalhos, elaborando os Estatutos Sociais da entidade. Inesperadamente, em agosto de 1965, o Presidente da Comissão viajou aos Estados Unidos a fim de completar um curso especializado em agricultura. Na época, vários estados do Brasil sofriam com enchentes catastróficas, fazendo com que a Festa de tornasse inconveniente e fosse transferida para 1967. Foram dados os primeiros passos para a escolha do local quando o Presidente precisou se afastar mais uma vez para fazer um curso em Minas Gerais. Devido aos constantes afastamentos, Gracia solicitou o desligamento do cargo de Presidente da Fenavinho. Desta forma, em setembro de 1966 foi eleita uma diretoria para concretizar em curto espaço de tempo 1° Fenavinho.
Com muito trabalho foram realizados os festejos das Bodas de Diamantes do Município, iniciando oficialmente a promoção da Fenavinho com o lançamento da Pedra Fundamental dos Pavilhões, onde hoje está localizado o Estádio Municipal. No
final dos festejos, devido a uma doença, o prefeito Milton Rosa se afastou do Executivo em seis de novembro de 1965 e o vice-prefeito. Dr. Ervalino Bozzetto assumiu a Prefeitura.
Em nome do Executivo Municipal, Bozzetto adquiriu uma área de terras de aproximadamente 220 mil metros dos irmãos Grando, uma vez que estudos realizados não aconselhavam a construção do Parque Fenavinho no local onde fora lançada a Pedra Fundamental devido ao tamanho e à dificuldade de expansão futura.
No dia 26 de novembro de 1966, nos salões do Clube Ipiranga, foi realizado o Baile de Escolha da Imperatriz I do Vinho, elegendo Sandra Guerra como Imperatriz e IegleGehlen e Liane Mazzini como Damas de Honra. Com este ato, a comunidade passou a acreditar e viver mais intensamente o clima da Festa.
Atendendo a um especial pedido do Pe. Ernesto Mânica, o ministro e deputado Daniel Faraco conseguiu trazer para a inauguração da Mostra de Uvas na Escola de Viticultura e Enologia e Exposição Industrial no Parque da Fenavinho o presidente da República, Mal. Humberto de Alencar Castelo Branco. Foi a primeira visita de um presidente da República, no exercício de suas funções, a Bento Gonçalves. No mesmo dia, 25 de fevereiro, nos salões de festas do Clube Ipiranga foi realizado o Baile de Abertura da I Fenavinho e coroação Imperatriz com posse das Damas de Honra. A festa
encerrou no dia 12 de março.


Diretoria Executiva da 1ª Fenavinho (1967)
Presidente: Moysés Luiz Michelon
Vice-Presidente: Luiz Matheus Todeschini
1º Secretário: Hilário Caetano Pozza
2º Secretário: Mário Morassutti
1º Tesoureiro: Dorvalino Pozza
2º Tesoureiro: Gentil Theofilo Pompermayer
Secretário Executivo: Anacleto Adorindo Tedesco
Imperatriz: Sandra Guerra
Damas de Honra: Iegle Gehlen e Liane Mazzini
Prefeito: Milton Rosa
Vídeo Youtube:
I Fenavinho – 1967 – Vídeo Documentário Oficial